Um história de bruxas e seres folclóricos

2019-06-19T17:07:37+00:00

A primeira ou a sétima filha de um casal sem varões nasce bruxa.

Este foi o pontapé inicial para a criação do conto A Bruxa e o Boitatá que, para minha imensa alegria, foi selecionado para a coletânea Brasil Fantástico – Lendas de um País Sobrenatural.

A frase acima é uma forte lenda da Ilha da Magia, que ao contrário do que muitos pensam, não é mágica somente pelas belezas naturais.

Além de se tornar minha primeira publicação, foi também a primeira parceria entre a Editora Draco e o Clube dos Leitores de Ficção Científica – CLFC, disponível pelo site da Editora Draco e nas principais livrarias virtuais.

Na época, fiquei super feliz em saber que entre os oitenta e seis trabalhos avaliados, meu conto: “A Bruxa e o Boitatá” (também disponível individualmente na Amazon) estava entre as onze submissões aprovadas.

As criaturas da mitologia brasileira saem das histórias contadas de geração em geração para serem redescobertas na coletânea Brasil Fantástico – Lendas de um país sobrenatural. 

Desde os tempos do Descobrimento surgem seres como curupira, saci, boitatá, iara, boto, pisadeira e lobisomem. Estas são apenas amostras das influências de culturas imigrantes e nativas que permeiam o Brasil e formam a nossa cultura popular.
Monstros que assustaram crianças e adultos durante anos — e há ainda quem acredite na existência deles. Com os mais variados estilos e gêneros como o terror, suspense, aventura e humor, as páginas de Brasil Fantástico são o encontro da literatura contemporânea com esse legado da imaginação brasileira.

Brasil Fantástico me divertiu muito. Foi bom ver os mitos brasileiros revisitados de maneira tão criativa por escritores brasileiros que apostam no assunto.  Sabem que alguns destes personagens, tão pouco conhecidos por muitos jovens, podem render excelentes histórias.

Sim, temos os clássicos: Boto, Curupira, Mula sem cabeça e outros talvez menos conhecidos como a Pisadeira ou Iara.

O conto: A Bruxa e o Boitatá

A Bruxa e o Boitatá aborda um dos mistérios da nossa querida Ilha da Magia. Bruna, a protagonista deste conto, não imagina que ter nascido em Florianópolis,  ilha cheia de encantos, possa ter um significado fora do comum.

Os mais místicos acreditam que Florianópolis está situada num dos pontos de encontro da famosa “Malha do Mundo”, uma rede energética que circunda o planeta, tendo assim a preferência das bruxas.

E esta é só uma das diversas histórias que circulam pela ilha. Desde a invasão açoriana, as bruxas ganharam força, tendo suas peripécias contadas e recontadas, somente durante o dia, é claro.

Antigos moradores dizem que as bruxas atacam pescadores, roubam barcos, bailam em tarrafas de pescaria, roubam cavalos e galopam pelos ares.

Caçam bebês, animais pequenos e destroem lavouras em crescimento.

Transformam-se em mariposas e entram nas casas pelo buraco da fechadura para chupar o sangue de crianças não batizadas.

Alguns até já pintaram nas paredes externas das casas uma janela falsa na tentativa de enganá-las, a chamada “janela da bruxa”.

Pesquisando para escrever o conto

Mas as lendas de Floripa não circulam só em torno das bruxas. Os índios também tiveram importante papel na composição de um universo misterioso e supersticioso para o conto.

Pesquisando a história da ilha, descobri que arqueólogos encontraram vestígios de índios tupis que pescavam em Sambaqui. Havia uma grande aldeia de índios curandeiros em Cacupé.

Viveram aqui também os carijós que executavam seus delinquentes na atual praia de Moçambique, tornando-a maldita pela proliferação de espíritos ruins.

E como uma coisa leva à outra, aí entra o Boitatá, já descrito pelo padre José de Anchieta na Carta de São Vicente em 1560:

Um facho cintilante correndo para ali; acomete rapidamente os índios e mata-os….

Mas foi Franklin Cascaes, artista catarinense, pesquisador, ecologista e folclorista.  Dedicou parte de sua vida ao registro das tradições, lendas, usos e costumes dos moradores da Ilha de Santa Catarina.

Uma de suas histórias diz que um Boitatá circula por Floripa, sempre à meia-noite e só pode ser preso por corda de sino.

O enredo de A Bruxa e o Boitatá

Esta grande variedade de histórias fazem parte da identidade cultural do município.  E que a paulistana aqui desconhecia, despertando a vontade de situar meu conto em Florianópolis.

E de vincular o Boitatá, tão conhecido mito brasileiro, às bruxas da ilha.

Mas escolhi ambientá-los nos dias atuais. Para que todos saibam do perigo ao circularmos pelas praias de Floripa ou por suas badaladas festas. Podemos nos deparar com belas e cativantes mulheres. Talvez representantes do “Círculo da Lua”?

Espero que isto não seja motivo para deixarem de visitar Florianópolis.

E talvez um dia, como eu, sintam um desejo incontrolável de viver na Ilha da Magia. Por sua arquitetura, verdes encostas, belas praias e lagos e a simpatia dos manezinhos. Sem faltar as rendeiras com suas mãos hábeis e mágicas (dizem até que são bruxas) ou excelente gastronomia.

Mas tenham cuidado ao passearem pelas inúmeras pedras da praia de Itaguaçu. Na verdade são bruxas castigadas pelo “chefe” por não convidarem o tal demo para a festança que ali costumavam fazer.

Quem é que quer afastar convidados com tanto cheiro de enxofre, não é mesmo?

A novidade agora é que a continuação de ¨A Bruxa e o Boitatᨠjá está em fase de planejamento. Em breve o leitor poderá acompanhar o desenrolar desta história.

E saber o que aconteceu com Bruna, Thomas, Micaela e as bruxas do Círculo da Lua, dez anos após os acontecimentos do conto.

Aguardem!

E se quiserem mais uma dica de livro sobre folclore brasileiro, leia o post: Folclore brasileiro: um abecedário de personagens em livro

Dados do livro Brasil Fantástico:

Livro: Brasil Fantástico- Lendas de um país sobrenatural

Editora: Draco
Organização: Clinton Davisson, Grazielle de Marco e Maria Georgina de Souza
Autores: Allan Cutrim, A. Z. Cordenonsi, Andréia Kennen, Antônio Luiz M. C. Costa, Christopher Kastensmidt, João Rogaciano, Marcelo Jacinto Ribeiro, Maria Helena Bandeira, Mickael Menegheti, Renan Duarte e Vivian Ferreira.
Páginas: 248

Livro Brasil Fantástico

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